Não é de hoje que eu não tenho a menor fé em educação formal. O caminho para conseguir o famoso “canudo” sempre me pareceu uma tentativa falida de formar. A realidade nua e crua costuma ser bem aquém das expectativas idealizadas, e a falta de preocupação com a qualidade do corpo Docente é sempre um calcanhar de aquiles.
Nada melhor do que viver a realidade nua e crua na pele. Decidi que não fazia sentido deixar um canudo ser impedimento para qualquer coisa que eu queira fazer e por isso me matriculei no curso de Análise de Sistemas do UNICEUB, em Brasília. Curso de 2 anos, próximo da minha área de interesse, com um foco diferente do que eu próprio tinha dado até hoje no meu conhecimento.
Entra Ana Cristina de Figueiredo Dornelas (veja a lista de professores). A disciplina é “Sistemas Distribuídos”. Me pareceu que eu ia gostar da professora: funcionária da Embrapa, administra bancos de dados e trabalha extensivamente com Unix. Mas aí começaram a vir as bobagens.
Vieram tímidas em princípio; discussões pouco técnicas e pouco acadêmicas a respeito de um conceito vago e subjetivo de “transparência” com relação a software. Mais tarde algumas outras a respeito de como acontece o boot de um computador (a começar pelo fato de que ela explicou o processo de boot de um unix-like como se fosse parte do processo ‘genérico’, com init e tudo).
Mas nada, nada poderia superar a explicação que ela deu sobre processos zumbi no UNIX. Segundo ela processos zumbi são processos que têm problemas quando a máquina é desligada inesperadamente. O UNIX mostra os processos como zumbi e deixa a cargo do administrador decidir o que fazer com eles, segundo ela. Uma obra digna de gênio! Quem me conhece sabe que eu sei admirar pessoas competentes; isso não exclui pessoas competentes em serem ruins! Erre, mas erre com estilo!
<ironia>Aqui algumas referências que corroboram o dito pela professora, para os não-iniciados:</ironia>
- http://www.doc.ic.ac.uk/lab/labman/lookup-man.cgi?wait(2)
- http://www.clueless.com/jargon4.2.0/html/entry/zombie.html
- http://en.wikipedia.org/wiki/Zombie_process
Eu disse que nada poderia superar isso? Ana Cristina não me deixaria na mão. Ontem ela explicou para nossa turma que o Linux é um sistema que faz gerenciamento de memória e de sistemas de arquivos em espaço de usuário, adotando o modelo “micro-kernel”. Quando eu tentei dizer que não ela iluminou minha alma me explicando que existem algumas distribuições que discordam do Linus e adotam o esquema micro-kernel.
Ana Cristina de Figueiredo Dornelas é um modelo para a educação no Brasil.
Comentário semi-pós-post: eu não tenho nada contra pessoas que sabem pouco ou que não sabem muito a fundo. Eu tenho muita coisa contra pessoas que dizem saber coisas que não sabem e que se colocam com a autoridade de ‘professor’ à frente de uma turma de dezenas de alunos que não têm, em sua maioria, competência no assunto para julgar criticamente o que essas pessoas dizem e despeja baboseiras desse tipo. É um desrespeito com as pessoas; mereceu até configurar novamente um blog.
