Monthly Archives: February 2009

My first commit to WebKit

So, after some time contributing to WebKit/GTK+ I got invited to be an official committer, and today (yesterday, technically) my account was setup. I have thus been able to commit one of my patches which were already reviewed myself. It is indeed pretty simple. I didn’t want to fuck up big if I did, you know =). At least it is much more meaningful than my first patch that got committed.

Being a committer means I can help speed things up a little by freeing reviewers from the work involved in commiting some of the patches, giving them more time to review new patches instead, so I am very excited about this.

Mais uma (semi-)boa notícia

Atualizado 3: eu testei o Linux Educacional versão 1.0; a instalação é a de um Debian normal, e o desktop normal é um KDE normal; o sistema conta com APT e tudo mais; por mais que eu ache a interface ruim, os menus desorganizados e as opções estranhas e complicadas, não me pareceu que os problemas que foram citados anteriormente vêm da customização do sistema, e sim da forma como ele foi instalado, nesse caso.

Pelo que li no Planet KDE hoje, escolas públicas ganharam de novo laboratórios de computadores, mas dessa vez com GNU/Linux. Uma ótima notícia, e uma ótima idéia, mas também me parece mais um caso de boas intenções com péssima qualidade técnica por trás. Citação do que foi dito pela entrevistada do post original:

about the machines: to be fair, this was not so nice… the machines are a modification of Debian linux, named Educacional Linux ( linux for education), running 2.6.18 kernel and KDE 3.5.5, the /etc/apt/sources.lst was empty, and the aptitude and apt commands removed. I don’t know why the government did that, since the hability to upgarde is good in any system. But it’s really great to see that the government is doing what they promissed: digital inclusion in every school.

Muito bacana, né? Tem toda a cara de ser uma distribuição capada, customizada de um jeito tosco e com a habilidade de ser mantida corrompida pela brilhante idéia que os criadores dela tiveram. Fazem sucesso por aqui idéias desse tipo. Parece que alguns dos desenvolvedores do KDE acharam muito bacana a notícia e estão tentando se aproximar para dar um apoio maior, e integrar novidades do KDE4. Quem sabe eles não ajudam a dar um mínimo de sanidade técnica ao projeto? Dou a maior força!

Atualizado: o Maurício apontou em um comentário que eu fui precipitado em dizer que a distribuição é customizada de um jeito tosco; como eu de fato não olhei a distribuição de perto ainda, preferi dizer somente que a informação me leva a crer que ela seja. Eu vou sinceramente adorar se alguém me provar que eu estou errado.

Atualizado 2: o projeto aparentemente não disponibiliza fontes; somente ISOs dos binários. Isso é cartão amarelo se houver algum software GPL no CD (já que tem Linux, pelo menos 1 tem =D).

Mais uma outra coisa que eu acho que merece destaque: diferentemente de outras ações de ‘computadores na escola’ que aconteceram no passado, essa iniciativa parece ser bem estruturada. Eles têm um fórum que parece bastante ativo, inclusive.

KDE4 ou Windows 7?

Eu sou da opinião de que o KDE sempre tentou emular o look and feel do Windows – o que, tirando o fato de Windows ser ruim de usar, não é ruim per-se, eu acho que o GNOME emula muito o look and feel do Mac OS X, também, e não vejo mal nisso. Eu achei o KDE4 original bem parecido com o Windows Vista, mas me parece que a Microsoft acaba de inverter o jogo: o Windows 7 parece muito com o KDE4. Então parabéns ao time do KDE por ter virado a mesa em cima deles =).

Lendo um post hoje no Planet KDE eu vi um link para um vídeo muito interessante…. o time do ZDNet Austrália foi pra rua com um notebook rodando KDE4 e dizendo para as pessoas que era o Windows 7, e adivinha? Parece que todo mundo achou muito melhor que o Vista e disseram que migrariam para ele! Até aqui nenhuma surpresa, né? Apesar de eu achar GNOME melhor, KDE4 é anos luz melhor que Windows (XP ou Vista), tanto em usabilidade quanto em liberdade.

Epiphany/WebKit advancing

Since late 2008 WebKit/GTK+ has been advancing in a better pace than earlier that year. Patches are being reviewed and committed actively, mostly by Holger Freyther (zecke). This last month, among other goodies such as better keyword searching for the WooHoo bar in Epiphany and enabling WebKit’s Soup backend to upload files, I have been working on getting download support into WebKit/GTK+ so that we can use that API in Epiphany.

Most of the heavy work was done by Marco Barisione and Pierre-Luc Beaudoin for Collabora early last year. I brought the patch up-to-date and modified it with input from various people into something simpler and handling some more use cases. Tonight I finally reached a milestone, being able to download a Debian ISO with Epiphany/WebKit:


Epiphany WebKit downloading

This is work in progress. There are many rough edges to sharpen, still, but this work should be ready for merging very soon. If you want to help take a look at the WebKit bug report we are using to track this work, and the corresponding Epiphany bug report.

Anyway, I’ve been using both Epiphany and WebKit/GTK+ from trunk for about a month now, and the number of things I am missing is going down quickly. Come help us test and get a regressionless Epiphany with WebKit/GTK+ for GNOME 2.28!

Review do Itautec Infoway Note W7645 (ou carta aberta à Itautec)

Nota importante: esse post recebeu um número grande de comentários; eu acho importante lembrar que os que postaram aqui me criticando, desafiando ou atacando pessoalmente não necessariamente são da equipe do Librix ou têm ligações com a equipe; eu prefiro dar o benefício da dúvida, e convido a quem quer que leia os comentários a fazer o mesmo.

Sumário

Minha irmã é, desde há muito tempo, uma feliz usuária de Debian e GNOME. Ela costuma usar o sistema sem muitos problemas, e aprendeu a usar Gimp e outras coisas que ela inclusive procurou e instalou em Windows quando teve de usar esse SO inferior. Pois bem… minha mãe resolveu dar de aniversário para a Laura esse ano um notebook, e comprou o Infoway W7645, que vem com o sistema “Librix” pré-instalado.

Antes de continuar, um resumo do que eu achei do produto: hardware muito bom, dado o preço baixo; o processador é um Pentium Dual Core, com 1MB de cache L2. Não é nenhum centrino, mas é um bom processador. O notebook tem 1GB de memória RAM, chipset de vídeo Intel GM965/GL960, e wireless RealTek, conectada no bus USB. Eu gostei da tela, maior que 15 polegadas; o notebook tem 2 portas USB, e no geral eu senti que o computador tinha tudo do lado “errado”, o que não chega a ser um problema: o CD-ROM está do lado esquerdo, junto com as portas USB, a do modem e entradas de fone e mic, com leitor de cartão, entrada do cabo de força e saída de ar quente(!) do lado direito. Não é nada difícil o cabo de força ficar tomando ar quente o tempo todo.

O mouse pad é confortável (bem mais que o do meu HP Pavilion). As caixinhas de som deixam muito a desejar, mas nada que não se contorne com caixas externas ou um fone. A tomada, com 2 pinos redondos, é adaptada à nossa realidade. Uma coisa que me deixou meio assim é que os LEDs da porta ethernet não parecem funcionar para indicar link – talvez um OSMAR daqueles. No geral um bom notebook.

Já o software… um lixo.

O Librix é um derivado de Gentoo(!), criado originalmente pelo Laboratório de Administração de Sistemas e Segurança (LAS-IC) da UNICAMP sob o nome Tutoo Linux. Rodando com um kernel 2.6.22, ele usa um KDE versão 3.5.x, e a maior parte do sistema é instalada com o sistema Portage, do Gentoo. Alguns softwares, incluindo diversos softwares proprietários como o Skype, Flash e Java e alguns livres, como o Firefox, são instalados no diretório /opt; e viva a FHS.

Um ponto quase positivo é que na página do Librix é possível encontrar links para baixar os “fontes”. Infelizmente isso não parece ser possível para a versão 3.0, que acompanha o notebook em questão.

Analisando o Librix

Eu acho sensacional ver fabricantes de hardware finalmente pré-instalando sistemas GNU/Linux. É bom saber que o imposto Windows está deixando de ser obrigatório. Agora… quem me conhece vai provavelmente imaginar que eu fiquei tonto de pavor quando vi tudo isso: eu não sou um grande fã de Gentoo, nem de KDE, mas principalmente não de software proprietário que teoricamente não pode ser redistribuído como está sendo feito.

No primeiro boot o Librix pede que você configure uma senha de root e crie usuários. Ele te diz em uma mensagem proeminentemente colocada que você não deve usar root para tarefas cotidianas. Depois de responder a isso tudo ele te deixa logado como root no seu KDE. Quando você faz logout o KDM está com root como o usuário já escrito. Uma forma muito boa de ajudar o usuário a fazer tudo errado.


Desktop inicial do Librix

A próxima coisa que eu tentei fazer depois do boot foi conectar-me à rede wireless aqui de casa. Eu uso um AP linksys rodando DD-WRT, configurado com criptografia WPA2-Personal. Depois de um tempo tentando entender que magias eu tenho que conjurar para que ele me mostre as redes disponíveis eu finalmente encontro habilmente escondido no menu principal, no submenu ‘Sistema’, o KWifiManager, com uma descrição tímida: Configurador wireless.


Menu do Librix

Vocês que como eu têm algum tempo de desktop livre vão adorar essa ferramenta, dada a sensação de ter voltado no tempo que ela causa. Ele torna se conectar a uma rede wireless uma coisa complicada! Clicar em um ícone, escolher a rede, digitar a senha e começar a navegar? Pra que se eu posso ter uma interface esquisita com um botão “Procurar por redes” que sempre que eu clico me mostra uma nova janela com uma lista das redes encotradas?


A loucura que é o KWifiManager

Em defesa do kwifmanager eu devo dizer que ele prontamente se conectou à rede ‘default’ de algum vizinho descuidado, embora nem sempre o gateway default ficasse corretamente configurado. Acontece que a minha rede é a de ESSID ‘emacs’. Eu clico nela, clico duas vezes, e nada… nada de o botão ‘Mudar para rede’ ficar habilitado, também. Finalmente eu tento abrir a tela de configurações que aumenta ainda mais a minha sensação de ter voltado alguns anos no tempo! Olha que bonito, eu tenho uma tela de configuração que parece um formulário do governo, em que eu posso inclusive especificar um script shell para lidar com DHCP pra mim! Sim, porque DHCP é uma coisa nova e complicada. De qualquer forma, nada feito… se isso um dia funcionar, aparentemente vai ser só com WEP, e eu não estou disposto.

Não havendo outro jeito, e já que eu já estava alguns anos no passado mesmo, peguei um cabo de rede e liguei no notebook. Com rede, então, resolvi testar o “Tutoo Portage Manager”, TPM. Chique demais esse nome. Mas então, aparentemente a Itautec não fez um planejamento muito adequado quando se trata das atualizações do seu sistema: o TPM me deu uma mensagem de erro dizendo que não conseguiu baixar um ‘novo pacote de atualizações’ e me disse para conferir minha conexão com a Internet e espaço em disco. Bom, nenhum desses era o problema, mas aparentemente o fato de a Itautec ter removido o arquivo do lugar em que ele devia estar. Clicando em ‘Detalhes’ eu me deparei com uma tela muito simples de ser entendida pelo usuário comum: a saída do comando wget dedurando o 404 Not Found.


O "gerenciador" de pacotes TPM

Por fim, achei uma coisa muito engraçada: um ls no raiz do Librix nos dá isso:


Librix:/# ls
bin dev home lib media opt root sys usr wacom_drv.so
boot etc L3031011.sw lost+found mnt proc sbin tmp var
Librix:/# cat L3031011.sw
2041L3031011 SWP LIBRIX 3.0 W7645 HD160

Hahaha… Sinceramente, né? Quando você acha que não pode ficar mais amador você encontra um driver de input do X e um arquivo txt com informações do hardware no diretório raiz. Querem me matar de rir =).

Conclusão

Eu não planejava deixar o Librix instalado no computador, é claro. Pra que deixar um frankenstein baseado em Gentoo rodando em um bom hardware? Instalar Debian Lenny nesse bichinho foi uma brisa. A única coisa que dá um pouquinho de trabalho é a placa de rede wireless, que não é suportada pelo Linux 2.6.26; bastou fazer upgrade para o 2.6.28 que eu pude usar o NetworkManager do meu GNOME e voltar a me sentir definitivamente no ano 2009.


Desktop do Debian Lenny mostrando o Network Manager

Me assusta a Itautec gastar tempo e dinheiro e associar sua marca a um sistema tão mal-feito que só me permite classificá-lo como ‘porcaria’. Uma vergonha também para o time da UNICAMP, na minha opinião. Com Debian, Fedora, Ubuntu, Mandriva e um sem-número de outras distribuições bem feitas e que podem ser usadas sem licenciamento por aí, pra que contratar um time de pessoas que aparentemente não sabe o que está fazendo para criar um sistema de quinta categoria? E não me venham com a mentirada do 100% nacional. Eu não me importo se vocês acham que ‘nacional’ é melhor, e 100 é um número grande demais.

Posso parecer um pouco negativo, e minha crítica pode parecer pouco construtiva, mas o fato é que esse tipo de trabalho amador (mesmo que o manual do Librix o chame de ‘profissional’, a realidade é que ele parece ter sido feito por gente que não sabe o básico) acaba por causar uma fama ruim para o GNU/Linux: os usuários não costumam saber que ao invés do KDE existe o GNOME, e que ao invés do frankenstein existem distribuições bem-mantidas, e acabam colocando tudo num mesmo balaio: “Linux não presta”, dizem erroneamente. Eu ouço isso direto, e quando vou saber a pessoa conheceu “Kurumin”, “Satux”, “Librix” e outras porcarias que insistem não só em usar KDE, que não é um desktop adequado para uso de massa, na minha opinião, mas em criar uma infra-estrutura muito mal-feita por baixo.

Então, Itautec, parabéns pela iniciativa, e pelo bom hardware e, por favor, comece a pré-instalar uma distribuição de qualidade, por favor.

Nota sobre KDE: KDE não é um desktop ruim, per se, mas foca muito mais em flexibilidade, configurabilidade e features para “power users”, o que o torna ideal para entusiastas e para diversos geeks, mas complicado e presente demais para alguém que não se interessa por desktop; um bom desktop para essas pessoas “some” o máximo possível, deixando o usuário fazer o trabalho dele. Em defesa do KDE, o pessoal do Librix poderia ter feito uma instalação muito mais bem-feita do KDE, e ter usado o KNetworkManager.