Então. Eu vou. =)
Há quem esteja dizendo que a conferência é uma inundanção de palestrantes relacionados a KDE e Qt, o que é próximo da verdade, muito embora eu esteja ansioso para conhecer alguns GNOMErs que já vi que estarão lá. De qualquer forma, essa talvez seja uma boa oportunidade para eu comentar o que eu achei do recente lançamento da Qt 4.5, com a licença LGPL.
Quem já me conhece sabe que eu não morro de amores nem por C++, nem por KDE. Então muita gente (que gosta de KDE) veio correndo me dizer como agora GTK+ tinha acabado, provavelmente imaginando que eu estava achando ruim a notícia. Engraçado que um outro amigo me disse há mais de um ano que GNOME ia acabar com o lançamento do KDE4 =). Antes de mais nada, comparar Qt com GTK+ não faz sentido. A GTK+ é um toolkit gráfico e widget set razoavelmente limitado. A Qt é um pacote enorme, com funcionalidades de todo tipo, incluindo coisas como banco de dados, rede, XML, svg, 3D, renderização web, entre outros.
Mas é importante lembrar que a maioria dessas características existe sim para desenvolvedores GTK+! Então, eu acho mais sensato comparar Qt com o ‘mundo’ glib, que inclui coias como a libsoup, o gstreamer, GDA, WebKitGTK+, Clutter, e por aí vai. Eu não acho que exista um ganhador absoluto e imediato em uma disputa por espaço, nem acho que o fato de a Qt ter sido lançada como LGPL vai afetar tão negativamente o mundo glib como parecem acreditar alguns. GNOME continua sendo dominante no desktop livre, e além de GTK+ existem, como eu disse, diversas tecnologias de qualidade, e a facilidade de criar bindings significa que ainda existem mais bindings feitas para tecnologias glibicas, com auto-geração de bindings para qualquer biblioteca baseada em glib muito próximo de ser realidade.
O mundo Qt também tem diversas tecnologias bem-feitas ao seu redor, e eu respeito muito os times que geraram projetos como Nepomuk e KHTML (que serviu de suporte para o WebKit, em que eu trabalho bastante hoje). E eu acredito que nós vamos continuar a ver as tecnologias dos dois mundos se aproximando e se complementando.
E Qt ter sido lançado como LGPL, e, principalmente, passar a ter um modelo de desenvolvimento de comunidade, é uma ótima notícia! Isso significa que a colaboração entre as tecnologias fica facilitada, e que o projeto KDE (e outros projetos livres, inclusive do mundo glib!) não precisam ficar marginalizados com relação ao desenvolvimento da Qt (o fato de o pessoal do KDE ter que manter um pequeno fork da Qt era triste, por exemplo). E a Qt continua sendo livre, assim como o KDE, o que já é suficiente para que eles sejam considerados aliados, para mim. Então, all the power para Qt 4.5!