Acontecimentos dignos de blogging…

Não é de hoje que eu não tenho a menor fé em educação formal. O caminho para conseguir o famoso “canudo” sempre me pareceu uma tentativa falida de formar. A realidade nua e crua costuma ser bem aquém das expectativas idealizadas, e a falta de preocupação com a qualidade do corpo Docente é sempre um calcanhar de aquiles.

Nada melhor do que viver a realidade nua e crua na pele. Decidi que não fazia sentido deixar um canudo ser impedimento para qualquer coisa que eu queira fazer e por isso me matriculei no curso de Análise de Sistemas do UNICEUB, em Brasília. Curso de 2 anos, próximo da minha área de interesse, com um foco diferente do que eu próprio tinha dado até hoje no meu conhecimento.

Entra Ana Cristina de Figueiredo Dornelas (veja a lista de professores). A disciplina é “Sistemas Distribuídos”. Me pareceu que eu ia gostar da professora: funcionária da Embrapa, administra bancos de dados e trabalha extensivamente com Unix. Mas aí começaram a vir as bobagens.

Vieram tímidas em princípio; discussões pouco técnicas e pouco acadêmicas a respeito de um conceito vago e subjetivo de “transparência” com relação a software. Mais tarde algumas outras a respeito de como acontece o boot de um computador (a começar pelo fato de que ela explicou o processo de boot de um unix-like como se fosse parte do processo ‘genérico’, com init e tudo).

Mas nada, nada poderia superar a explicação que ela deu sobre processos zumbi no UNIX. Segundo ela processos zumbi são processos que têm problemas quando a máquina é desligada inesperadamente. O UNIX mostra os processos como zumbi e deixa a cargo do administrador decidir o que fazer com eles, segundo ela. Uma obra digna de gênio! Quem me conhece sabe que eu sei admirar pessoas competentes; isso não exclui pessoas competentes em serem ruins! Erre, mas erre com estilo!

<ironia>Aqui algumas referências que corroboram o dito pela professora, para os não-iniciados:</ironia>

Eu disse que nada poderia superar isso? Ana Cristina não me deixaria na mão. Ontem ela explicou para nossa turma que o Linux é um sistema que faz gerenciamento de memória e de sistemas de arquivos em espaço de usuário, adotando o modelo “micro-kernel”. Quando eu tentei dizer que não ela iluminou minha alma me explicando que existem algumas distribuições que discordam do Linus e adotam o esquema micro-kernel.

Ana Cristina de Figueiredo Dornelas é um modelo para a educação no Brasil.


Comentário semi-pós-post: eu não tenho nada contra pessoas que sabem pouco ou que não sabem muito a fundo. Eu tenho muita coisa contra pessoas que dizem saber coisas que não sabem e que se colocam com a autoridade de ‘professor’ à frente de uma turma de dezenas de alunos que não têm, em sua maioria, competência no assunto para julgar criticamente o que essas pessoas dizem e despeja baboseiras desse tipo. É um desrespeito com as pessoas; mereceu até configurar novamente um blog.

6 thoughts on “Acontecimentos dignos de blogging…”

  1. Update: hoje a professora disse mais 2 coisas lindas: 1) “overherd” – e ainda disse que não tinha nem coragem de traduzir o que significava; 2) C, segundo ela, não é case sensitive… quando pessoas da sala tiveram problemas digitando o código C de exemplo que ela tirou de algum lugar na Internet ela explicou que nesse caso estava sendo case sensitive por causa do DevC++, ferramenta usada para fazer código em C++… fantastic

  2. Hhehehee, o Kov nao deve se lembrar, mas conheci ele na faculdade
    Santo Agostinho em Montes Claros (2003?), na epoca eu tive o mesmo
    problema (guardadas as devidas proporções, claro) com os pro-
    fessores, no fim larguei o curso, de lah pra cah jah tentei
    pegar o canudo mais umas tres vezes e tah F…A, cada vez me
    surpreendo mais nao com o desconhecimento, mas com a falta de humildade dos “mestres” em admistir os erros e rever suas
    posicoes.
    Me pergunto se em todas as areas do conhecimento nossa
    situacao eh a mesma…
    Felizmente estao aparecendo alguns cursos a distancia na area, geralmente nesses cursos vce nao eh obrigado a “assistir” as
    desexplicações.

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