Eu vou ao FISL… Debian e devaneios sobre educação

Eu não ia. Tinha resolvido que era melhor focar somente no evento de Maio, no Amazonas, em que vou falar de Debian e TurboGears e na Debconf, para a qual já comprei passagem e estou pleiteando financiamento, inclusive.

Mas aí fiquei sabendo pelo meu chefe que o MDS, onde eu trabalho hoje em dia, vai patrocinar o evento e que terá direito a uma palestra, e fui escalado junto com a Fabiana, desenvolvedora PHP que cordena a equipe de desenvolvimento do Ministério.

A apresentação é sobre um assunto interessante e tem bastante resposta pra ‘show us the code’, embora, como todas as iniciativas de governo que existem, seja bastante ‘marginal’, não indo tão a fundo no conceito do software livre, sendo mais usuário que produtor.

Então poderemos nos ver por POA no FISL! No campo Debian, estou ansioso pela saída da Etch, e pela Debconf. Minha vida debiânica tem sido basicamente manter os pacotes do gksu e TG redondinhos e com traduções atualizadas para a Etch, mas minha cabeça já está borbulhando com idéias para a próxima era do gksu; vou detalhá-las mais aqui em outra ocasião.

Outra coisa que tem estado bastante na minha cabeça é Educação; não é novidade pra quem me conhece que eu sempre pensei muito sobre como aprender e como a educação deveria ser. Postei várias vezes nos meus antigos blogs sobre isso. Por diversas razões tenho pensado muito nisso nos últimos tempos. A idéia principal que gira na minha cabeça ultimamente é que talvez fosse muito melhor se a educação fosse focada em habilidades, ao invés de ser focada em conhecimento.

Por que não ensinar as pessoas a entender e resolver problemas, ao invés de fazê-las decorar métodos de resolução de equações de segundo grau, por exemplo? Não seria mais útil ensinar interpretação de textos de verdade ao invés de obrigar pessoas a decorarem regras de gramática? Estive pensando bem e acho que a única habilidade que nós realmente praticamos durante nossa vida escolar é a de memorizar; bastante alinhada com a realidade que conhecemos na vida profissional, se você pensar bem… de que tipo de habilidade você precisa para fazer certificações e concursos, afinal? =)

4 thoughts on “Eu vou ao FISL… Debian e devaneios sobre educação”

  1. Não resisti.
    De minha parte, também uso excessivamente meu tempo mental em reflexões ardentes sobre a educação (ou aprendizado). No momento, estou lendo (ou procurando comprar) os seguintes livros:

    Edgar Morin – Reformar o Pensamento
    http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&ProdTypeId=1&ProdId=135438&ST=CN259178

    Edgar Morin – O Conhecimento do Conhecimento (Método 3)

    Edgar Morin – Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro, Oshttp://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&ProdTypeId=1&ProdId=149918&ST=TN135438

    E, por você ser da área, pergunto: conhece os trabalhos de Alan Kay e Seymour Papert (UI/Smalltalk e LOGO, respectivamente)?

    Menciono estes pois encontrei nos trabalhos de Morin (em especial, Reformar o Pensamento) e a visão de Seymour Papert e Alan Kay sobre computadores pessoais (e sobre a experiência de aprendizado utilizando computadores pessoais) um eco fortíssimo das minhas mais profundas frustrações sobre o ensino.

    []’s
    Thiago

  2. ele voltou a bloga e vai pro FISL, yeah!

    então,
    uma pergunta que tá na minha cabeça é:
    como descobrir nossas habilidades?

    Você iria a escola e lá teriam vários “jogos”
    que despertariam essas habilidades?

  3. Thiago, não conheço os autores a que você se referiu, mas certamente vou procurar saber mais quando tiver tempo disponível, obrigado pelas referências!

    Metal, jogos são mídias interessantes, embora não acredite que sejam bala de prata. Na verdade a mídia não importa tanto, e nem se trata de uma questão de ‘descobrir’ habilidades. Existe uma discussão muito importante em educação, pelo que conheço, sobre como detectar as tais ‘inteligências’ (múltiplas ou não) específicas de cada pessoa, mas não é disso que estou falando aqui.

    A questão que eu levanto nesse caso é um pouco mais fundamental: é uma questão de postura e foco. Quando penso em um bom administrador de redes, imagino um cara que sabe, ao tratar um problema:

    * Identificar claramente sintomas
    * Identificar possíveis pontos de falha
    * Obter informações abundantes
    * Identificar prováveis pontos de falha
    * Testar cada ponto
    * Isolar o problema
    * Tratar o problema

    Se você pensar bem, essas habilidades que eu citei acima não são específicas de um administrador de redes…

    É óbvio que para cada etapa dessas um número de conhecimentos é necessário, incluindo conhecimento sobre protocolos, sobre como funcionam os equipamentos, sobre quais ferramentas existem e como usá-las para obter informações que sejam úteis; esses são conhecimentos específicos da área.

    Mas pensemos novamente sobre as habilidades genéricas acima. Quantas pessoas você conhece que têm facilidade, naturalidade em desempenhá-las, mesmo quando têm muitos conhecimentos no assunto?

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