Mais uma (semi-)boa notícia

Atualizado 3: eu testei o Linux Educacional versão 1.0; a instalação é a de um Debian normal, e o desktop normal é um KDE normal; o sistema conta com APT e tudo mais; por mais que eu ache a interface ruim, os menus desorganizados e as opções estranhas e complicadas, não me pareceu que os problemas que foram citados anteriormente vêm da customização do sistema, e sim da forma como ele foi instalado, nesse caso.

Pelo que li no Planet KDE hoje, escolas públicas ganharam de novo laboratórios de computadores, mas dessa vez com GNU/Linux. Uma ótima notícia, e uma ótima idéia, mas também me parece mais um caso de boas intenções com péssima qualidade técnica por trás. Citação do que foi dito pela entrevistada do post original:

about the machines: to be fair, this was not so nice… the machines are a modification of Debian linux, named Educacional Linux ( linux for education), running 2.6.18 kernel and KDE 3.5.5, the /etc/apt/sources.lst was empty, and the aptitude and apt commands removed. I don’t know why the government did that, since the hability to upgarde is good in any system. But it’s really great to see that the government is doing what they promissed: digital inclusion in every school.

Muito bacana, né? Tem toda a cara de ser uma distribuição capada, customizada de um jeito tosco e com a habilidade de ser mantida corrompida pela brilhante idéia que os criadores dela tiveram. Fazem sucesso por aqui idéias desse tipo. Parece que alguns dos desenvolvedores do KDE acharam muito bacana a notícia e estão tentando se aproximar para dar um apoio maior, e integrar novidades do KDE4. Quem sabe eles não ajudam a dar um mínimo de sanidade técnica ao projeto? Dou a maior força!

Atualizado: o Maurício apontou em um comentário que eu fui precipitado em dizer que a distribuição é customizada de um jeito tosco; como eu de fato não olhei a distribuição de perto ainda, preferi dizer somente que a informação me leva a crer que ela seja. Eu vou sinceramente adorar se alguém me provar que eu estou errado.

Atualizado 2: o projeto aparentemente não disponibiliza fontes; somente ISOs dos binários. Isso é cartão amarelo se houver algum software GPL no CD (já que tem Linux, pelo menos 1 tem =D).

Mais uma outra coisa que eu acho que merece destaque: diferentemente de outras ações de ‘computadores na escola’ que aconteceram no passado, essa iniciativa parece ser bem estruturada. Eles têm um fórum que parece bastante ativo, inclusive.

9 thoughts on “Mais uma (semi-)boa notícia”

  1. Kov, posso ser chato? Tomaz, me permite?

    Então. Obrigado. Vamos lá.

    A partir de http://br-linux.org/2009/proinfo-e-o-linux-educacional/ , tem lá a página do Linux Educacional em http://webeduc.mec.gov.br/linuxeducacional/index.php (que, esquisitamente, não tem HREF, então não dá pra clicar e ir pra página. Br-Linux FAIL.)

    Tem três versões do Linux Educacional lá, sendo que a mais nova (3.0) é baseada no Kubuntu 8.04. E só consegui encontrar linuxeducacional@mec.gov.br como contato com os desenvolvedores.

    Imagino que o Tomaz não deve ter visto a versão 3.0, já que o Kubuntu 8.04 saiu com KDE 4.

  2. Gustavo, não acho que você tenha todas as informações necessárias sobre o assunto, por isso gostaria de complementar. O Linux Educacional não é uma distribuição customizada de jeito tosco: é fruto de um trabalho responsável e que já vem sendo feito nos últimos dois anos por uma equipe dedicada dentro do MEC. Inclusive esta semana lançaram a nova versão, que é baseada em Kubuntu 8.4, e contém novos programas e o KDE 3.5.10.
    Existe espaço para melhorias? Lógico! Mas existem muitos fatores a serem considerados além da simples capacidade de se usar o apt: muitas escolas na região rural por exemplo tem conectividade extremamente limitada, e os updates neste caso tem que ser feitos através de mídia física (DVD) mesmo. O cronograma de implementação também é uma operação logística monstro: não dá para ter a última versão de tudo, e sei que eles estavam trabalhando desde abril do ano passado nesta versão que ficou pronta agora.
    Acho precipitado criticar pesado sem conhecer mais a fundo os detalhes que nortearam a implementação do projeto. Sei que isso torna a vida de quem está lutando pelo software livre dentro do governo mais difícil. Da minha parte prefiro colaborar positivamente, mantendo uma postura crítica sempre que necessário, mas buscando maiores informações antes de chegar a qualquer conclusão. Você pode baixar as ISOs diretamente no site do MEC:
    http://webeduc.mec.gov.br/linuxeducacional/index.php

    Nota do kov: com o www não estava funcionando, então tomei a liberdade de editar o link aqui

  3. @Maurício: acho que você tem toda a razão, eu não devo ter todas as informações, estou fazendo o comentário baseado exclusivamente no que o Tomaz postou.

    Mas um ponto importante: eu não espero que seja instalada a última versão de tudo – muito antes pelo contrário, eu sou totalmente a favor de ficar algumas versões atrás em nome da estabilidade e gerenciabilidade.

    O fato de terem sido removidos os gerenciadores avançados de pacote continuam sendo uma falta grave, eu acho, mas eu concordo com você que dizer que ela é customizada toscamente, a partir desse fato é precipitado, então vou modificar o post para dizer que isso é o que me parece.

  4. Tranquilo, kov. Sei que junto com a nova versão (3.0) o pessoal disponibilizou 20GB de conteúdo em um repositório debian do MEC. Ano passado eu instalei a versão 2.0 direto da ISO, e pelo menos a minha tinha o apt :) O repositório de mídias não estava configurado, mas as informações para adicionar estavam no site, pelo que me lembro.

  5. @Mauricio, @kov
    A versão instalada nos labs da escola foram instaladas esse ano e era a 1.0, se o governo tem versões mais novas disponiveis, não sei porquê não instalaram. Piacentini vem fazendo um ótimo trabalho junto ao governo aqui no brasil, conversei bastante com ele no latinoware para ter certeza disso.
    a unica coisa que realmente achei falha na instalação do linux não foi o linux per se, mas a falta de suporte com monitores para as escolas. a Nazareth pediu minha ajuda como amigo, sem receber um tostão, para treinar os professores. Aceitei.

  6. @Tomaz então tá explicado; sobre o problema do suporte, acho que essa é uma questão constante. Quando eu morava em Montes Claros, aqui no norte de Minas, o governo do Estado estava dando início na região a um programa de inclusão digital

    Eu participei de reuniões com a responsável, na época, e em diversas oportunidades questionei quem daria suporte aos laboratórios. Eles planejaram monitores, mas eram pessoas das comunidades, treinadas somente para usar coisas como OpenOffice.org e coisas do gênero (eu participei de alguns treinamentos).

    Nunca houve ninguém para cuidar da parte técnica de verdade. Resultado: eu saí da minha casa e atravessei a cidade diversas vezes pra conectar cabo meio solto (porque ‘a internet tá fora em uma das máquinas’), configurar rede no servidor porque ele havia sido desligado e quem tinha instalado só configurou a interface com ifconfig mesmo, sem escrever o arquivo de configuração. De graça, claro =).

    A página com o Fórum que eu citei me dá esperanças, pelo menos, de que isso pode melhorar nesse caso.

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