Governo Federal e a Internet. Tá me zoando, né?

Em uma nova tentativa de demonstrar que o apoio aos padrões abertos e ao software livre pelo Governo Federal está mais no discurso que nas ações o Blog do Planalto publica transcrições dos discursos da presidente em documentos no formato binário proprietário gerado pelo Microsoft Word (exemplo).

Ao tentar registrar minha sugestão de que não faz sentido isso já que discursos não passam de texto simples e poderiam muito bem ser publicados em um formato muito mais conveniente (como, tcharãn, HTML, que é usado no próprio blog) sempre me deparo com a seguinte mensagem:

Falha ao enviar sua mensagem. Por favor tente mais tarde ou contacte o administrador de outra forma.

Muito bem. Qual exatamente é a outra forma? Já que eu não achei uma, vai em forma de blog e mensagem no (argh) twitter, imagino.
Blog do Planalto me ajudando.
Como se eu já não estivesse chateado o suficiente com a forma como o governo se relaciona comigo pela Internet (estou olhando pra você também IRPF), recebo hoje um email:

From: Ministério da Saúde
To: gustavo@noronha.eti.br
Subject: Dengue. Se você agir, podemos evitar.
Date: Wed, 23 Feb 2011 01:00:22 +0000 (02/22/2011 10:00:22 PM)

Nham. O email é da campanha contra a dengue, mas vários links apontam para URLs no domínio dilma.com.br, como você pode ver na cópia do email que eu coloquei aqui. Eles de fato levam pra página da campanha, mas não é estranho? Exemplo:

<p>Caso não queira mais receber e-mails, clique <a href=”http://dilma.com.br/page/m/3ef9c647/5f18969f/7fea378b/25000d2e/1178116369/VEsE/”>aqui</a>.</p>

E o domínio é de fato registrado para a pessoa física Dilma Vana Rousseff:

kov@couve:~$ whois dilma.com.br | head -n 13 | tail -n 4
domain: dilma.com.br
owner: DILMA VANA ROUSSEFF
ownerid: 133.267.246-91
country: BR

Tendo em vista que eu não me cadastrei em lugar nenhum para receber emails do Ministério e que é muito estranho o domínio pessoal da Dilma ser usado na campanha da dengue do Ministério, eu quis contactar o Ministério da Saúde a respeito. Aí eu fui no lugar óbvio: Fale conosco do site do Ministério. Isso nos leva para uma página onde se pode registrar uma mensagem, depois de clicar uns links sobre ter entendido os termos. Acontece que essa é a página:
Site de fale conosco da saúde me ajudando muito.
*clap* *clap* *clap*

11 thoughts on “Governo Federal e a Internet. Tá me zoando, né?”

  1. Bem vindo ao circo Brasil. Aqui, o palhaço é você!

    O que mais me indigna é o uso do ministerio como porta para o site pessoal da Dilma….

  2. “Fale Conosco” == “Fale com /dev/null”, pelo menos em formulários que dão a ilusão de que algo foi enviado.

    Talvez (talvez! talvez!) no blog do planalto eles, realizem (ou tenha pessoal), de alguma forma, o papel de ouvidoria.

    Mas no âmbito geral de ministérios, eu nem sei se alguma ouvidoria sequer tenta funcionar…

    O email do ms apontando pra dilma.com.br foi bizarro…

  3. O Governo Federal possui uma arquitetura para Padrões de Interoperabilidade de Governo Eletrônico chamado e-PING. E no documento oficial, eles indicam criar documentos no formato ODT (OpenOffice Document) sendo o formato gratuíto e opensource. Você pode sugestionar ao órgão que eles troquem a forma de geração de documentos para um padrão amplamente utilizado por diversos softwares, incluindo o MS Word.

    Para mais informações sobre o e-PING:
    http://www.governoeletronico.gov.br/acoes-e-projetos/e-ping-padroes-de-interoperabilidade

    Abraços

  4. @Ivan: eu conheço o e-ping; pode ser um bom argumento, mesmo, embora eu ache que nem deveria ser necessário usá-lo. Agora é fazer a mensagem chegar no povo do Blog do Planalto.

  5. Kov o negócio é levar isso adiante e ver no que vai dar. Chuto que você também tenha votada na Dilma, então estamos duplamente no direito de exigir satisfações.

  6. @Daniel: não votei; na verdade votei na Marina no primeiro turno e nulo no segundo (porque esperava que a Dilma fosse ganhar, mas se eu visse chance de que não talvez votasse).

    E eu não votei por vários motivos. Triste com várias coisas que aconteceram no governo Lula e triste de ver amigos defendendo incondicionalmente tudo que se fez como se fosse mal necessário ao mesmo tempo em que sempre enxergam malícia e cálculo no que os adversários fazem.

    Lula deu sinais de se achar meio dono do Brasil nos últimos tempos. A política externa me desagradou profundamente. Dinheiro que devia ter sido usado em saúde e educação foi usado pra dar empréstimos subsidiados a grandes empresas escolhidas vai saber sob que critérios.

    O tanto de grana que o governo deu pra Oi podia ter sido usado pelo menos pra tirar o pé do freio no orçamento da Anatel. Ao invés de ajudar a melhorar o ambiente de comunicações, incentivar a concorrência e exigir das empresas qualidade, preço e atendimento às áreas menos lucrativas o governo faz uma coisa dessas. Eu sinceramente não entendo. Além disso, subir em palanque de Roseana Sarney e dizer que Sarney não era “uma pessoa comum”, faça-me o favor, né? =)

    Então não quis votar na Dilma, apesar de achar que seria bom que ela fosse a eleita por vários motivos, torcer para que o mandato dela dê certo e que ela consiga consertar algumas distorções. Não quis votar porque eu não quero contribuir com a ideia de que o Brasil foi governado por 8 anos por um salvador quase perfeito e não queria encher a bola da Dilma mais do que o necessário.

    Eu não ter votado não significa que eu lavo as minhas mãos. Como eu disse acima, eu vejo qualidades na Dilma (como vi no Lula e por isso votei nele). Mas dos meus amigos é que eu espero mais – por isso vou continuar cobrando coerência, honestidade e aprofundamento do que há de bom. E não vou aceitar que o que há de ruim seja deixado “esquecido” só porque existe uma ideia de que a presidente seja “aliada”.

  7. É o retrato da política brasileira.

    Como você já sabe participo do projeto Jogo Justo (http://www.jogojusto.com.br) e a nossa maior dificuldade está sendo conseguir CONVERSAR com um político. Não estou falando de convencer o cara a apoiar a nossa ideia, mas simplesmente fazer com que o cara escute a nossa proposta. No inicio conseguimos o apoio do ex-deputado federal Luiz Carlos Busato (http://twitter.com/Dep_Luiz_Busato), mas depois que virou secretário nunca mais deu sinal de vida.

    Depois das eleições, os políticos mandam a sociedade para /dev/null. Olha que eles nem devem saber o que é /dev/null, porque se soubessem a situação seria pior.

  8. As pessoas parecem tet dificuldade em entender, compreender sobre o motivo de trocar o sistema operacional. O sistema Linux também não é um fim em si mesmo, mas as inumeráveis (softwares livres) Aplicações disponíveis em conjunto com boas interfaces gráficas de usuário (AWN, Cinnamon e Mate) está tornando-se bastante competitivo, e as pessoas irão querer usar GNU/Linux se soubermos explorar os potenciais de gerar vontade de usá-lo por causa das aplicações nativas.

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