Discussões sobre a Petrobrás

Assim que a Petrobrás divulgou os resultados do ano calendário de 2012 houve um sem número de controvérsias a respeito. Eu participei de algumas discussões e fiquei animado pra escrever um post explicando de forma mais detida minhas opiniões a respeito. Vou tentar abordar cada um dos argumentos usados nas discussões de que participei.

Está tudo bem, compre Petrobrás!

Vou começar tratando de um post do Paulo Henrique Amorim. O teor do post pode ser dividido em 2 partes: a primeira parte é uma nota oficial da Petrobrás em que ela diz o seguinte:

Em 2012, o lucro líquido foi 36% inferior ao apurado em 2011, refletindo os efeitos da depreciação cambial, maior participação de derivados importados no volume de vendas e aumento das despesas operacionais com maiores baixas de poços secos e subcomerciais;A segunda parte é um comentário feito pelo jornalista em que ele dá a entender que os jornais O Globo, Folha e Estadão deram um viés de má notícia em suas manchetes (que focam na queda de lucro recorde), enquanto a “publicação especializada” InfoMoney dá uma manchete que cita o valor auferido em lucros e indicando que o lucro superou as estimativas. Ele termina sugerindo ao leitor que compre ações da Petrobrás.

Eu considero esse post do Paulo Henrique Amorim uma tentativa pífia de dar um giro positivo numa notícia que não tem nada de positiva. O fato é que o lucro da Petrobrás caiu em 36% – mais que um terço! – em relação a 2011. As expectativas em relação ao lucro da Petrobrás estavam baixas por várias razões (algumas até listadas no texto da Petrobrás, acima) e o fato de o lucro ter superado essas expectativas não ajuda muito.

Valor das ações da Petrobrás de 2008 a início de 2013

As expectativas em relação à saúde financeira da Petrobrás e ao nível de interferência política sofrida pela empresa não é coisa nova. A Petrobrás perdeu mais de 66% do seu valor de mercado desde 2008, como se pode ver no gráfico acima, obtido no Yahoo! Finance. Isso significa que alguém que comprou 100 reais em ações da Petrobrás em 2008 hoje não vende as mesmas ações por mais do que 34 reais. Faz sentido, então, recomendar a compra, como fez PHA? Antes, vamos tentar entender as razões por trás da queda.

E por quê essa perda gigantesca?

As intervenções do governo e as mágicas fiscais

Em 2010 a Petrobrás fez o que o ex-presidente Lula chamou (com razão) de a maior capitalização da história do capitalismo mundial. O que foi isso? A Petrobrás precisava de dinheiro em caixa pra fazer investimentos na extração do pré-sal. Para conseguir esse dinheiro, a Petrobrás aumentou o número de ações que a compõe e as ofereceu na bolsa. Trabalhadores brasileiros puderam usar o dinheiro do FGTS para adquirir ações – e muitos fizeram isso!

Como parte do processo a União fez o que se chamou de cessão onerosa de 5 bilhões de barris de petróleo que se encontravam em lotes do pré-sal. O petróleo que está em território brasileiro é do Estado brasileiro, para que seja extraído de lá e usado comercialmente, a União faz leilões de concessão. Na capitalização a União concedeu, com antecedência, à Petrobrás os direitos sobre esses 5 bilhões de barris e ganhou, em troca, R$ 74,8 bilhões. Desses, R$ 42,9 bilhões foram usados para compra de ações da capitalização da Petrobrás, aumentando a participação da União na empresa. Note que até hoje esses barris estão lá embaixo da terra. O que foi feito foi uma transação sobre direitos futuros.

Com que propósito isso foi feito? Em primeiro lugar para viabilizar a capitalização, claro, mas em segundo lugar, esses bilhões foram usados para fazer o superávit primário de 2010. Esse é um dos exemplos de como o governo tem usado a Petrobrás politicamente, para fingir que cumpre as metas que define para si mesmo. Esse foi um dos fatores que levaram as ações da Petrobrás a continuarem em queda, mesmo depois de ter feito a maior capitalização da história. Vamos falar de outra: o subsídio à gasolina.

O subsídio à gasolina

Outra das razões para a queda do valor de mercado está na nota da Petrobrás citada acima: “maior participação de derivados importados no volume de vendas”. Em 2006, ano eleitoral, Lula foi a um campo de exploração de petróleo da Petrobrás pintar as mãos de preto e anunciar a nossa auto-suficiência em petróleo. Os mais atentos também devem se lembrar de como Lula fazia discursos ufanistas quando falava do etanol brasileiro, de como era o mais eficiente do mundo e coisa e tal.

Acontece que demanda por combustíveis aumentou consideravelmente desde então, em parte impulsionada pelo subsídio dado pelo governo para venda de automóveis, através da redução do IPI, e o setor produtivo brasileiro simplesmente não teve condições de atender à demanda. Resultado: milhões e milhões de barris importados tanto de etanol quanto de gasolina. A auto-suficiência durou bem pouco.

Por si só, o fato de termos que importar etanol e gasolina não seria tão problemático. Acontece que o governo, através da Petrobrás, adotou uma postura de não repassar ao preço local da gasolina os ajustes sofridos pelo preço do petróleo no mercado internacional. Essa postura funcionava quando a auto-suficiência em petróleo era um fato, mas a partir do momento em que nós começamos a importar, a Petrobrás estava pagando muito mais pela gasolina que comprava do que cobrava pela gasolina que vendia, o que levou a uma situação inusitada: quanto mais gasolina vende, mais a Petrobrás perde dinheiro! Como pode ser visto no post linkado, calcula-se que depois do reajuste da gasolina dado no começo de 2013 a Petrobrás está perdendo 1,2 bilhões de reais por mês. Essa é nossa situação atual.

Mas o subsídio à gasolina é do interesse nacional!

Assumindo que faça sentido a Petrobrás destruir sua saúde financeira para estabelecer um subsídio de interesse do país (falo disso mais adiante), resta somente a questão de se é interesse do país o subsídio à gasolina. Será que é? Eu acho difícil decidir sobre uma coisa complexa dessas assim de supetão; Uma das questões que servem como base pra essa é se é do interesse do país o subsídio ao IPI, dado anteriormente, e que levou à alta da demanda.

A redução de IPI para automóveis foi uma medida adotada pelo governo para aquecer a economia e impedir que a crise de 2008 nos atinge com mais força, reduzindo o emprego e a renda. É louvável essa tentativa, mas por quê a indústria automobilística? Uma das razões é possivelmente que essa é uma indústria que emprega muito e que tradicionalmente trabalhou com o governo para evitar reduções de postos de trabalho. OK, até aqui tudo bem. Mas será que não existem diversas outras indústrias que poderiam absorver os trabalhadores que perdessem o emprego nas montadoras? Quem dirá os serviços e indústrias de suporte que certamente surgirão em volta de empreendimentos desse porte?

Além de pensar sobre isso, temos que pensar também nos outros resultados que advem de uma política dessas. Uma delas é óbvia: a quantidade de carros nas cidades aumentou vertiginosamente, aumentando a poluição e os engarrafamentos. Essas são o que a economia chama de externalidades negativas. Imagine se ao invés de incentivar a compra de carros o governo federal tivesse iniciado investimentos consistentes em obras de mobilidade urbana em todo o território brasileiro. Canteiros de obra para metrôs, BRTs, trens poderiam não só absorver os trabalhadores que eventualmente fossem demitidos nas montadoras, mas gerariam uma externalidade positiva significativa. Melhoria na qualidade de vida das pessoas.

Do meu ponto de vista, o incentivo à compra de carros foi um erro. Mas suponhamos que tenha sido uma boa ideia. Voltemos à questão do subsídio à gasolina: o subsídio vem da Petrobrás, que é uma empresa de capital misto, o que significa que parte dela é do Estado brasileiro, parte de entes privados e indivíduos. Por isso mesmo, parte do dinheiro investido nesse subsídio é público. Ou seja, é dinheiro da pessoa pobre que recebe Bolsa Família, meu e seu.

Faz sentido usar esse dinheiro para beneficiar quem usa carros a gasolina? Eu consigo ver o benefício pra mim, que tenho carro e uso gasolina, mas que benefício à sociedade esse subsídio dá, que justifique usar dinheiro da pessoa pobre que recebe Bolsa Família pra me ajudar? Os argumentos que eu ouvi são de que um aumento na gasolina acarreta aumento de custo e portanto um aumento de preços em cascata no resto da cadeia produtiva. Será? Caminhões e ônibus usam diesel, por exemplo, então não vejo como o custo de transporte de cargas e passageiros seria afetado. Quem tiver alguma ideia, poste aí nos comentários.

A Petrobrás é uma empresa estatal/pública e portanto tem o dever de proteger os interesses nacionais!

Eu argumentei antes que o subsídio à gasolina não é necessariamente do interesse nacional. Acho o mesmo quando se trata de usar mágica contábil… mas vamos supor que fossem interesses nacionais. A Petrobrás tem o dever de protegê-los? Gostaria de voltar à questão da capitalização. Os mais atentos lembrarão que a Petrobrás é uma empresa de capital misto, ou seja, a União é um dos acionistas, mas há outros. Quem são esses outros? Grandes capitalistas que especulam na bolsa? Certamente há. Mas os mais atentos lembrarão que também há inúmeros trabalhadores, que usaram seu rico dinheirinho do FGTS para comprar ações da capitalização. São mais de 70 mil trabalhadores que tem mais de 2 bilhões aplicados na oferta original em 2000 ou na capitalização de 2010. Sem contar investidores individuais, que podemos ser eu e você. Quem comprou 100 reais em ações em 2010 hoje vende por 70. E não há sinal de que a trajetória de queda vai mudar.

É justo a Petrobrás tocar o foda-se para União, trabalhadores e outros acionistas e perseguir o que alguém tirou do Cadastro Único ser do interesse nacional? Eu diria que não. Se for o caso, e acho que, como qualquer outra política pública, o mérito dessa tem sim que ser avaliado, o ideal é fechar o capital da empresa, ou seja, tirá-la da bolsa de valores e trazer o orçamento da empresa pra dentro do orçamento geral da União. Por quê? Porque se vamos usar dinheiro público para fazer subsídio de interesse nacional é essencial que fique claro e transparente para todos que esse subsídio é feito ao invés de outros investimentos. O dinheiro que iria para subsidiar a gasolina poderia talvez ser melhor gasto na educação, por que não?

Conclusão

Respondendo à pergunta original: e aí, faz sentido recomendar a compra de Petrobrás? Do jeito que a coisa está hoje, não acho que faça sentido. É necessário que a empresa e o governo demonstrem que a Petrobrás será gerida como uma empresa séria de novo antes que seja possível confiar nela. Mas eu sou otimista e acho que a Graça Foster foi colocada lá com essa condição: de que ela poderia colocar a empresa nos trilhos. O aumento da gasolina do começo de 2013, apesar de não acabar com a defasagem do preço, é um passo na direção certa. Se você acredita que as intervenções políticas vão acabar e que a empresa vai parar de tomar decisões estúpidas como a de subsidiar a gasolina, compre. Se não acha, não faz sentido comprar.

Atualização (3 de março de 2013)

Só no primeiro bimestre de 2013 o valor de mercado da Petrobrás caiu mais do que em todo o ano de 2012. O aumento insuficiente para corrigir a distorção do preço da gasolina é uma provável explicação.

AIClass and vacations

One of my side projects for these last months was to enroll on the online Introduction to AI class, with Peter Norvig and Sebastian Thrun, professors at Stanford. Through it I also learned about the Kahn Academy. I must say that getting to know these efforts made me feel similar to when I found Free Software: it’s hard to believe that such great things exist!

I learned some really cool stuff, and was also introduced to the amazing work of Sebastian Thrun with self-driving cars, it was an awesome experience! Last weekend I took the final exam, and today I got the certificate of accomplishment. It was delivered as a signed PDF which can be checked with a certificate they provided, pretty neat. I’m very happy, and motivated to enroll on more such courses in the future =). Now it’s time to cool down, though. My vacations start today, and on the weekend I’ll travel to the sunny Fortaleza, in northeastern Brazil, to enjoy some nice beaches and get some tan. See you next year!

Statement of Accomplishment - AIClass 2011
Statement of Accomplishment - AIClass 2011

Banco do Brasil, tô achando que é tchau

Eu tô há algum tempo ficando cada dia mais chateado com o Banco do Brasil. Apesar de usar GNU/Linux internamente, e aparecer na mídia como uma instituição aliada do software livre, o banco sempre foi um pé no saco pra quem quer usar softwares e protocolos abertos. A idéia de girico da equipe do BB de usar java para uma “solução de segurança” sempre me deixou sem entender. Por muito tempo isso me obrigava a usar software proprietário se quisesse usar o banco online. Resultado: eu não usava banco pela Internet até a Sun lançar o java como software livre.

Acontece que o navegador que eu uso atualmente não tem suporte a plugins java ainda (porque, claro, o plugin do Java não é um plugin normal, como todos os outros que já funcionam), e eu uso atualmente amd64, e, caso você não saiba, a ‘solução de segurança’ do BB só funciona com 32 bits. Como todos sabem, java é portável.

Algumas coisas, como essa, eu consegui passar por cima. Por exemplo: eu estava um dia olhando uma propaganda do banco sobre recursos para o iPhone. Na hora veio na minha cabeça: mas, peraí, iPhone não tem Java! Como, então, se usa iPhone para acessar o banco? Óbvio: retira-se a solução de ‘segurança’, que sempre foi uma estupidez inútil, e se permite fazer algumas operações pelo iPhone. Não entendo muito bem por que a cisma com o iPhone, hype é foda, mas de qualquer forma, eu obviamente pensei em fazer meu próprio iPhone! Aqui vai, como!

Instale o Midori, no Debian basta instalar o pacote ‘midori’. Abra o Midori e vá no menu ‘Edit’, opção ‘Preferences’, e na aba ‘Network’ mande o Midori se identificar como ‘Custom’. Adicione a seguinte linha no campo de texto:


Mozilla/5.0 (iPhone; U; CPU like Mac OS X; en) AppleWebKit/420+ (KHTML, like Gecko) Version/3.0 Mobile/1C25 Safari/419.3

Pronto, você já pode logar no BB online pelo Midori, como se fosse um iPhone. Ḿas pra eu acessar pelo meu navegador normal não pode, né, BB?

Meu iPhone

Nos últimos tempos, minha relação com o banco ficou mais complexa: eu recebo meu pagamento pelo trabalho que faço para a Collabora por transferência internacional, e isso faz de mim um exportador de serviços (que chique, hein?), o que me obriga a usar uma estrutura similar a de empresas no trato com o banco, incluindo usar o horrível, péssimo, mal feito e bugado “Gerenciador Financeiro aplicativo”. Feito na maravilhosa linguagem Java™, que como todos sabem é Write once, debug everywhere™.

Esse pedaço de fail é extremamente chato de mexer, muito complicado. A única coisa fácil que dá pra fazer nele é errar. Mas até funcionava no meu amd64 (a solução de segurança não tava nem aí que ela falhava). Acontece que no último mês eles mudaram a forma como isso é feito, e agora não funciona mais com amd64, então eu precisei usar uma vm 32bits pra fazer o que eu preciso fazer.

Como isso já está beirando o ridículo, e eu sei que a única coisa que me causa esses aborrecimentos é a incompetência técnica do Banco do Brasil, acho que chegou a hora de repensar definitivamente qual banco usar para minhas necessidades bancárias. Sugestões?

Moving back to Belo!

So, next Saturday Luciana and I are moving back from Rio de Janeiro to Belo Horizonte after about 6 months here. It was an interesting ride. We didn’t really have a good time finding a good place to live at – Rio is very expensive and it looks like demand is so high anywhere close to Luciana’s work place that the only reasonable solution was to live very far away, and even there we didn’t really have much success, although for other reasons I may talk about later.

“Belo” is how the foreign people who live there usually refer to Belo Horizonte. I think that is probably because it’s a bit too hard for them to say ‘Horizonte’ =D (if it helps you, you could use the “Mineirish” ‘Belzonte’). I have borrowed this svg file kindly licensed in the FDL by Raphael Lorenzeto de Abreu, and generated a simple png image that you can see in this post with Belo Horizonte, and some other cities we often talk about at Collabora =):

A straight line between Recife and Belo Horizonte has about 1640km. There are 340km between BH and Rio, and 973km between BH and Florianópolis.

A bit about Belo Horizonte, for those friends of mine to whom I always have a hard time explaining where it’s located, and what kind of city it is: Belo Hozizonte is a nice, beautiful city, with a quite big metropolitan area. About 6 million people live in greater Belo Horizonte. It is considered one of the three most influential cities in Brazil, along with São Paulo and Rio de Janeiro. It’s surrounded by mountains, which are considered one of the defining geographical features of the Minas Gerais state, of which it is the capital.

Here’s a picture that is available under the public domain in Wikipedia:

Speaking of Minas Gerais, it is, according to Wikipedia, the fourth in size among the 26 States of Brazil, being just a bit bigger than mainland-France. Minas Gerais is one of the main earth transports hubs of the country (having the largest number of federal roads), and is famous for its tasty food, the beauty of its people, its cheeses, the calm, introspective nature of its people, its interesting way of speaking portuguese, and its alcoholic beverages.

Now, going away from Rio to Belo Horizonte has a single big disadvantage associated with it: we don’t get to have the Sea a few minutes away, anymore. Our solution to that is, of course, going to one of the numerous bars (the legend goes around that BH has the largest absolute number of bars of all cities in the world), and drinking instead of swimming! Quem não tem mar, vai pro bar!

On Living in Cambridge

So, after GCDS, I was going to go to Debconf, and it seemed like a good idea to just stay in Europe, to avoid additional plane costs, and get to experience life in one of the Collabora offices for a while, too.

Working at the office has been great! I got to experience the meeting room, the front office, and am now staying at the back office, working close to Alban, Davyd, Sjoerd, and Will. It’s been a very good opportunity to get to know everyone a bit better, specially since I only knew a handful of Collaborans up to now. My colleague Sumana has an awesome post about how it feels like working from the front office. I am having a very good time here, learning how to use the espresso machine, making messes with salad sauses, and more!

It’s not the first time I come to the UK, but it is indeed the first time I come to England, so it was a new experience at various levels to me. I guess I’m also being affected by the fact that I am re-reading The Lord of The Rings, this time in English instead of in Portuguese – a nice gift I got from my dear significant other! Now, some funny facts about my personal experience with Cambridge.

  • I keep thinking ‘Hobbit holes!’ everytime I get near to the place where I’m staying, kindly hosted by Alban and Marco
  • There’s a contact lens cleaning thing in the bathroom called ‘SAUFLON’, but I keep reading ‘SAURON’ for some reason
  • Everything seems to be miniaturized; I saw small watermelons, small avocados, small whole chickens, and a variety of smallish stuff in the super market
  • The aisle we come through when going from the back of the office building into King’s Parade makes me think like I’m inside a Harry Potter movie

More to come!

Kov in Rio 2009

Como disse a Lu, estamos nos mudando para o Rio. Está sendo uma experiência interessante, até o momento, e acabou fazendo eu ficar mais perto de 2 pessoas queridas que vieram pra cá antes de mim: minha irmã Laura e meu amigo Gabriel. Isso também significa que eu estou em busca de um apartamento bacana, 2 quartos, pra morar perto do Botafogo, então se alguém souber de algum me diga =D.

Tenho outras boas notícias pra falar sobre (como o fato de eu ter virado reviewer do WebKitGTK+!), mas vou deixar para outros posts!

My first commit to WebKit

So, after some time contributing to WebKit/GTK+ I got invited to be an official committer, and today (yesterday, technically) my account was setup. I have thus been able to commit one of my patches which were already reviewed myself. It is indeed pretty simple. I didn’t want to fuck up big if I did, you know =). At least it is much more meaningful than my first patch that got committed.

Being a committer means I can help speed things up a little by freeing reviewers from the work involved in commiting some of the patches, giving them more time to review new patches instead, so I am very excited about this.

10 anos de Software Livre (ou uma pequena auto-biografia)

Era uma vez, no dia 23 de dezembro de 2008, no canal de IRC do Epiphany:

<reinouts> in two days, it's Epiphany's 6th anniversary!
<chpe> oh, you're right :)
<kov> I'm getting old =P

Pois é. Há mais de 6 anos que eu uso Epiphany. Finalmente em 2008 eu comecei a contribuir de fato com o meu navegador preferido, contribuindo alguns patches para o projeto WebKit/GTK+ e para o próprio Epiphany, mas ele já contribui comigo na beleza e simplicidade há um bom tempo. Antes disso eu usava Galeon (que é de onde vem o Epiphany), antes disso Mozillão, e antes disso links!

Mas vamos voltar um pouco mais: em 1998 eu morava ainda em Campo Belo, sul de Minas. É uma cidade pequena, e tecnologia demoraaava a chegar lá. Já havia uns 2 anos que eu tinha um 486 DX2, e finalmente eu comecei a brincar com Internet. Eu tinha interesse em programação, e comecei a me interessar mais por Internet. Um primo do meu amigo Thiago Miserani (por onde será que anda?), também chamado Tiago, mas vindo de Manaus, levou para Campo Belo um laptop com slackware instalado, naquele ano, e eu fiquei apaixonado. Pedi para minha mãe comprar pra mim um ‘Linux’ (eu falava errado, na época ;)) quando foi um dia a Belo Horizonte, mas ela rodou muitas lojas e não achou.

Finalmente descobri que a Conectiva vendia caixinhas pelo correio, e já no final de 1998 eu tinha minha caixinha de Conectiva Marumbi, e estava ralando que nem um condenado para fazer minhas placas de vídeo, som, e modem funcionarem. Foi tempo até eu descobrir o que era pnpdump e /etc/isapnp.conf! O The Linux Manual (que ainda existe!), escrito pelo Hugo Cisneiros, também conhecido como Eitch me ajudou muito na época. Eu acho que esse deve ter sido o guia mais importante para muitos de nós que começamos nessa época.

Em 1999 eu tinha fundado um canal, #linux-br, na rede de IRC Brasirc, e nós éramos um grupo grande de amigos trocando idéias e experiências. Eu tinha começado a saber sobre outras distribuições, e acabei me interessando por testar o tal Slackware. Um colega do canal, psych (por onde anda? =)), me disse que ia comprar um tal de Debian, e sugeriu que eu fizesse o mesmo, porque poderíamos nos ajudar. Comprei, apesar de achar o nome muito esquisito. E não podia ter feito coisa melhor. Enquanto descobria as maravilhas técnicas do Debian e o recém-criado APT (o apt não vinha no Debian hamm, que eu comprei, mas vinha como um ‘addon’ no CD), descobri também o curso de C do departamento de Engenharia Elétrica da UFMG (que eu continuo a recomendar!), e comecei a aprender a programar, usando o maravilhoso toolchain do projeto GNU.

O Debian me ensinou o que é Software Livre, e através do seu Contrato Social, me ensinou a importância de defender com unhas e dentes a liberdade que eu tinha tido de aprender, usar e distribuir o software. O resultado de tudo isso é que em 2000 eu já era um contribuidor apaixonado, traduzindo guias e começando a ler código. Eu usava tudo em console (não xterm! console, mesmo) naquele tempo, porque meu computador (ainda o 486) não era poderoso o suficiente para rodar quase nada. Um fato interessante: eu acabei o curso de C e aprendi a lidar com diretórios lendo o código do ls, que era bem mais complexo do que eu imaginava!

No final de 2000 eu tinha escrito meu primeiro programa em C com alguma utilidade, o gklog, uma ferramentinha muito simples que coloria logs baseado em palavras definidas pelo usuário. Algum tempo atrás eu descobri que ainda existem referências a ele na Internet; inclusive em um site de software para HP-UX! É um jeito interessante que eu tenho até hoje de demonstrar que eu tenho 8 anos de experiência com programação em C =D. Também entrei para o processo de novos mantenedores do Debian nessa época.

Em janeiro de 2001 eu me tornei o quarto desenvolvedor Debian do Brasil, e comecei a contribuir com o empacotamento de diversos pacotes simples; nesse ano eu participei pela primeira vez do FISL e acabei dando uma palestra junto com os outros 3 desenvolvedores Debian, na sala principal, de improviso. Foi nesse ano que eu finalmente troquei meu 486 por um K6 II, e pude usar o que eu queria: GNOME com Enlightenment! Nessa época, também, eu escrevi algumas versões do gkdial, falecido discador em GTK+ que eu me assustei de saber que algumas distribuições com foco minimalista e para dispositivos “embedded” ainda usavam (usam?) até recentemente! Nesse ano eu fiz meu primeiro trabalho remunerado relacionado a Software Livre: um curso de administração ‘Linux’ Conectiva, de 1 mês, na Linux Place, aqui mesmo em Belo Horizonte. Foi muito bacana.

De 2002 a 2004 minha contribuição com software livre foi constante, mas não há nada que eu destaque como muito importante tirando o APT-HOWTO, que eu acabei no final de 2001, mas que foi traduzido para o inglês pelo Steve Langasek em 2002, o que o levou a finalmente se tornar popular e traduzido em diversos idiomas. Em 2002 eu também fiz diversos trabalhos remunerados relacionados com Debian, o que foi bastante interessante =).

Em 2004 eu escrevi a primeira versão do gksu, que hoje é usado por quase qualquer pessoa que se aventure em um desktop GNOME do Debian ou do Ubuntu. Aliás, foi nesse ano também que eu participei da minha primeira Debconf, em que, inclusive, o Ubuntu foi anunciado pelo Mark Shuttleworth em uma BOF. Sobre o gksu, foi só no ano passado que eu comecei o muito necesário reprojeto do gksu, para finalmente consertar as maiores limitações estruturais dele.

Acho que fico por aqui, que o post já tá bem longo… se bobear eu conto mais da história de 2005 pra cá. É interessante lembrar das coisas que a gente fez tanto tempo atrás, e comparar com como a gente encara as coisas hoje em dia, e pensar sobre se e como a gente progrediu nas diversas facetas da vida.

Na viagem pra a Latinoware ano passado aconteceu uma coisa que me fez pensar bastante sobre isso: quando eu respondi a pergunta de um companheiro de viagem sobre contribuição com software livre dizendo que contribuo com Debian e GNOME ele fez cara de espanto e falou “você trabalha com Debian mesmo, então?”, que eu entendi como “então você não usa Ubuntu? Achei um dinossauro!” lol =D

Outra coisa que passou muito pela minha cabeça nos últimos tempos é quanto Debian e GNOME foram cruciais na minha formação como programador e sysadmin. Eu só tenho alguma noção do que é um bom design de software porque estive sempre perto de gente que faz coisas muito bem-feitas e que são Software Livre. Algumas vezes só olhando o que eles faziam, outras recebendo críticas ou conselhos deles a respeito de coisas que eu projetava e escrevia. Não tem preço.